Case 05 · Banco da Amazônia · Stefanini

PRONAF na Ilha de Marajó

Uma pesquisa remota com famílias ribeirinhas para entender por que o crédito rural não chega a quem mais depende dele, antes de desenhar qualquer sistema.

Meu papel
UX Research e discovery
Formato
Entrevistas remotas por WhatsApp
Contexto
Comunidades ribeirinhas, Ilha de Marajó (PA)
Entrega
Diagnóstico e recomendação de produto
Crédito rural · Ilha de Marajó
Banco da AmazôniaPRONAF
  1. 01Intenção
  2. 02Busca ajuda
  3. 03Documentação
  4. 04Espera
  5. 05Travamento
  6. 06Recomeço
01O cenário

Para essas famílias, o crédito rural é a base de tudo.

O PRONAF é o principal programa de crédito rural do Brasil. Para as famílias ribeirinhas da Ilha de Marajó, ele não é uma alternativa. A agricultura familiar é o recurso que sustenta comunidades inteiras na região.

O ponto de partida

O problema não era digitalizar. Era entender o que já estava quebrado.

02A tensão

O crédito existia. O caminho até ele não.

Na prática, o acesso depende de intermediários, de deslocamento por rio, de documentação extensa e de conhecimento técnico que a família não tem. Uma proposta pode ter até 80 páginas, e mesmo o processo digital ainda termina em impressão e validação manual.

O conflito

Digitalizar esse processo do jeito que ele estava só levaria as mesmas barreiras para uma tela.

03A investigação

Não dava para ir até lá. Então fui pelo WhatsApp.

O acesso às comunidades é por barco, em rotas que dependem da maré, e o orçamento não comportava o deslocamento. Conduzi as entrevistas pelo canal que essas pessoas já usam todo dia, com áudios longos e conversa assíncrona.

Isso mudou minha postura como pesquisadora. Eu precisava construir confiança rápido, sem estar presente, e respeitar o tempo de cada pessoa para falar de algo que tem peso real na vida dela.

Para acessar o crédito, eu precisava viajar até Belém. Nem sempre tinha dinheiro pra isso.
Agricultora ribeirinha, Ilha de Marajó
Meu processo está parado há dois anos por causa de um documento.
Agricultor jovem, comunidade ribeirinha
Um projeto pode ter até 80 páginas. E ainda precisa imprimir tudo.
Técnico da Emater que atende a comunidade
A primeira virada

O problema não é acesso ao crédito. É acesso ao processo.

04O diagnóstico

Não é uma jornada linear. É um ciclo de retrabalho.

O fluxo desenhado no papel é uma sequência de etapas. Na vida real, a cada barreira a família volta para o começo, e muitas vezes desiste no meio.

A jornada real de uma proposta

  1. 1Intenção
  2. 2Busca ajuda
  3. 3Documentação
  4. 4Espera
  5. 5Travamento
  6. 6Recomeço

Por trás desse ciclo, cinco barreiras que se reforçam. Atacar só uma delas não muda o resultado para as famílias.

Burocracia estrutural

Documentação extensa e validação manual que ignoram o contexto ribeirinho.

Dependência de intermediários

O acesso passa por técnicos, sindicatos e cooperativas. Quem não tem rede, não acessa.

Digitalização incompleta

Mesmo no sistema digital, o fluxo termina em papel.

Infraestrutura limitada

Conexão instável, aparelhos compartilhados, agências distantes por rio.

Linguagem excludente

Termos técnicos e jurídicos afastam justamente quem mais precisa do programa.

Como organizei

O que parecia exceção em uma conversa se repetia na outra. Cruzar as histórias transformou relatos isolados em estrutura.

05As decisões

A pesquisa terminou em recomendação, não em insight.

Apresentei dois caminhos, com prós, contras e implicações concretas, para que a liderança decidisse com clareza.

Caminho 1 Evoluir o BASA Digital

Usar a estrutura do app do banco e adicionar a jornada do PRONAF como módulo. Mais rápido e mais barato, mas carregando as limitações do sistema atual.

Caminho 2 Criar um sistema dedicado

Construir do zero para o contexto ribeirinho, com linguagem e fluxos próprios. Mais investimento, mais aderente a quem usa.

Quatro frentes, qualquer que fosse o caminho

Produto

Proposta quebrada em etapas, com progresso salvo a qualquer momento e continuidade entre aparelhos.

Experiência

Linguagem de campo no lugar de termo técnico, com orientação em cada passo.

Operação

Fim do papel: assinatura digital, documentos em nuvem e validação automática de campos críticos.

Rede de apoio

Treinamento de agentes da Emater, pontos de suporte nas comunidades e acompanhamento por WhatsApp.

O princípio que ficou

Cada dor relatada virou uma decisão de produto rastreável até a conversa de onde veio.

06O momento atual

O objetivo era garantir que o sistema não nascesse errado.

A entrega foi o diagnóstico e a recomendação. contar qual caminho foi escolhido, se você souber

Imagem real: mapa das cinco barreiras
Imagem real: jornada em ciclo
O que fica

Produto não é tela. É processo. E processo é gente, muitas vezes sem outra alternativa além daquela que a gente está desenhando.